No Trino Caminho Contigo, Grande Mestre Irmão Amigo Divino Dante!



I

Na selva escura, amigo Dante,
também me encontro,
belamente solitário,

cheio de assombros terríveis,
pesadelos vis, sentimentos todos
macabros...

Atravesso O Abismo como
O Negro Aprendiz Da Lama
E Da Chaga Encontrada

Nos Infernos, perdendo-me,
encontrando-me, enterrando-me
na cova querida minha que

guarda cada um dos meus ossos...
Meus ossos! Ah, os meus ossos!
Todos jogados pelos cantos

da Negra Estrada, todos assim como
pedaços que contam muito dos meus
danos e enganos e muitos outros

tantos infinitos danos...
Estou nos Infernos, A Negra Obra
Se Move, meus movimentos todos

se assemelham aos dos Diabos
e dos Demônios,
As Negras Estrelas dançam

diante da coroa que trago envolvendo
a minha desgraçada cabeça mortal
de cadáver inominável...



II

E eu tomo coragem, meu amigo Dante,
para deixar-me guiar pela minha Matelda
através do Letes Dos Dias,

O Rio Inominável Da Purificação,
no Ritual Maior Do Branco Caminhar
que jaz também nesta minha

atormentada alma de bardo inominável...
Ah, Dante, Dante, Dante, como é transcendente
mergulhar neste Letes que

por algumas vezes me retira bastante
do breu do meu Inominável Existir!
Ah, Dante, Dante, Dante, como é transcendente

Inominável Ser Um Ser De Trevas E
De Luzes, dotado da capacidade de Cair
e da capacidade de Ascender

com a mesma coragem que nunca irá
desaparecer! É com este empenho que sigo
nesta solitária inominável jornada,

não recebendo carinhos, não recebendo amores,
não sendo reconhecido, não sendo admirado,
não sendo admitido, não sendo abençoado,

não querendo carinhos, não querendo amores,
não querendo reconhecimento, não querendo
admiração, não querendo admissão, não

querendo bençãos... Sigo simplesmente
o Grande Inominável Curso Do Letes Dos Dias
com Matelda oferecendo-me A Lira...



III

E, Ironia Das Ironias Existenciais,
mesmo com os pés sujos pela Lama
Infernal, mesmo com os pés sujos

pela Esgoto Abismal, eu encontro a cada
dia meu nesta Terra de muitos pés
que também estão tão sujos como

os meus, a minha Beatriz, a minha
Alta Senhora, Sagrada Dama Do Deserto,
A Serpente Que Me Guia, A Serpente

Que Me Ama, A Serpente Natural
Da Cósmica Chama! E, amigo Dante,
diante dos meus inomináveis olhos

eu Vejo A Rosa Dos Bem-Aventurados
Revelada Nas Trevas, Tecendo Os Negros Caminhos
Ascensórios! E a minha Beatriz sentada

em Seu Desértico Sáio Trono, amigo
Dante, me oferece a gota do veneno mais
necessário para que eu me afaste da

material insanidade, beijando cada vez mais
a Imaterial Unidade! Assim, A Rubra Obra,
meu amigo Dante, eu sigo realizando na

mais sincera das solitárias inomináveis caminhadas! E
a ti rendo estes versos inomináveis, oriundos do Amor
Que Move Todas As Estrelas Inomináveis!

Inominável Ser
PARA SEU
GRANDE
MESTRE IRMÃO AMIGO
DIVINO
DANTE ALIGHIERI






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