O Oculto Verdadeiro Sentido Do Sexo Historicamente Comprovado - Parte III


Contam-se sete mil anos a história da produção do vinho no mundo, uma bebida cujos segredos de fermentação somente foram compreendidos em sua inteireza após o trabalho de Louis Pasteur efetuado no século XIX. O álcool, elemento primordial de sua concepção até hoje, eleva, milenarmente, a consciência humana, indo dos níveis dos ridículos exemplos comportamentais aos mais violentos. Entre esses extremos, no entanto, sabemos que em seu consumo há uma liberação maior dos sentidos e, junto, a perda das inibições que, diariamente, compreendem uma tomada de medidas morais para o bem-viver social. Nos tempos idílicos gregos, o Deus Dioniso, sempre acompanhado pelo Deus Pan e uma comitiva de sátiros e ninfas. Gordon, à página 32, assim define o caráter das Festas De Baco e dos participantes da mesma:



As festas de Afrodite eram menos favoráveis à participação desordenada e orgíaca do público do que as de Dioniso, também conhecido como Baco. Deus do vinho, foi sempre associado às bebedeiras e à embriaguez, e aos demais excessos produzidos pelo álcool, entre os quais a sexualidade ocupava uma posição preponderante. Dioniso é habitualmente representado na arte grega como uma figura viril e bonita, algumas vezes completamente nu, outras vezes coberto com uma folha de figueira, e com ramos de videira em volta da cabeça. Sua expressão sugere um encanto jovial e bem-humorado. Dioniso tinha um séquito grande e variado, constituído na maior parte de pessoas licenciosas, que foram os responsáveis pelas práticas indignas associadas ao culto e que deram origem à péssima reputação que gozava mesmo na Antigüidade.



A origem das festas dionísiacas remonta à lenda de Ícaro, rei de Icaria que, entusiasmado com a força do vinho (cuja produção e cultivo, a partir da uva, havia sido ensinado por Dionísio) quis que seus súditos provassem a bebida. Após ter sido o primeiro a embriagar seres humanos, no Mediterrâneo, foi acusado pelo povo de envenamento e assassinado pelo mesmo; com medo de serem acusados pelo crime, enterraram-no junto a um pinheiro com o intuito de esconder o que haviam realizado. A cadela do rei, Maira, a tudo assistiu e foi buscar a filha de Ícaro, Erígone, a qual arrastou até o túmulo do pai; desesperada pela descoberta, Erígone enforca-se à sombra do pinheiro. Os Deuses Olímpicos, entretanto, incorformados pelo fator do crime não ter sido punido, lançaram uma maldição sobre a cidade de Icaria, fazendo com que as donzelas da mesma se suicidassem sem nenhum motivo aparente; fizeram espalhar por toda Atenas o decorrer dos fatos em Icaria, através do Oráculo De Delfos, denunciando a injustiça cometida contra Ícaro e Erígone; e, descoberto o motivo da punição divina imposta à cidade do rei e da princesa assassinados, os vingadores atenienses massacraram a todos os assassinos dos dois, pois, diretamente, foram responsáveis, também, pelo suicídio de Erigone. Mitologia Universal aborda o que os vingadores atenienses posteriormente efetuaram:



Após o catigo aos culpados, instituíram festas em honra de Erígone, nas quais comemorariam para sempre as doçuras do vinho de Dionísio, o sacrifício de Erígone e o martírio do pai; as jovens celebrantes penduravam, de maneira simbólica, ramos de pinheiro ou de qualquer outra árvore robusta que nascesse no lugar, como uma festiva, não sangrenta, lembrança dos fatos que originaram as festas dionisíacas, que aludiam à obtenção da primeira colheita de vinho e ao torpor dos homens ante seus poderes.




Celebração Da Vida E Da Morte, Sentido Oculto nas origens das festas do Deus Do Vinho. Como essa Via Oculta, esse Alto Sentido, perdeu-se? Veremos mais adiante neste texto; agora, abordemos a primeira citação do mesmo.


As "práticas indignas", anteriormente citadas no trecho anterior do livro de Wellesley, citado acima, provavelmente, incluíam o que hoje denominamos como perversões sexuais: a pedofilia, a zoofilia e demais outras práticas sexuais que a nossa sociedade contemporânea condena. Sim, a pedofilia é um verdadeiro crime, a zoofilia é um verdadeiro crime, toda a perversão sexual que vise a uma agressão aterradora contra qualquer Ser é um verdadeiro crime; mas, como se poderia incutir tal idéia naqueles tempos de licenciosidade e de contato com as forças mais primais e baixas da Natureza, instigando os corpos de todos os participantes de tais festas, valendo-se mesmo da Naturalidade imposta pelos diversos tipos de envolvimentos nas mesmas? Os sátiros, principalmente, em determinados livros são identificados como os homens de aldeias que se vestiam com peles de animais e as suas condutas sexuais beiravam aos extremos que encantaram os artistas gregos e encantam ainda aos atuais seguidores das Artes. O vigor dos sátiros, dentre os mais famosos, na Mitologia, Sileno, era obra do contato com os Elementos Primordiais Da Terra, conjuntos de Forças que dotam o indivíduo de um desejo absurdamente elevado e libertante de toda a sua consciência, sem amarras e condicionamentos morais. Os aspectos mais baixos da sexualidade eram encontráveis nas bacanais (já em Roma, com o nome de Baco, podemos assim identificar as suas famosas festas), como o são hoje nos carnavais, herdeiros de todas as categorias de Espíritos disponíveis a tais embriagamentos carnais. Vejam como Gordon nos fala da festa dionísiaca em Atenas:



É curioso que e Atenas, a cidade grega mais reservada e mais consciente de sua dignidade cívica, as festas de Dioniso transcorriam no meio da maior licença e obscenidade. Nas procissões, os falóforos, os portadores do falo, os sátiros conduzidos por Sileno bêbado em cima de um burro, os itífalos, ou homens de enormes falos vestidos com roupas de mulher, e as bacantes seminuas que balançavam tochas acesas, provocavam entre os participantes um delírio de excitação. Em compensação, as canéforas, que carregavam diversos objetos simbólicos, eram moças de caráter irrepreensível e de pureza comprovada, escolhidas cuidadosamente entre as famílias mais nobres de Atenas.



Eram ou não festas tão parecidas com os carnavais atuais, nas quais Momo, esta licenciosa e debochada Entidade, um Egrégora formado dos resquícios das mais formidáveis festividades carnais da Humanidade, leitores virtuais? Ou seria Momo o Outro Aspecto De Dioniso, o Aspecto dos exaltados excessos sexuais? E em Roma, como deu-se a chegada desses Aspectos de Dioniso tão exaltados pelas multidões participantes de suas festividades? Mitologia Universal assim nos diz:



Para os romanos, Dioniso foi Baco desde seus primeiros contatos com a cultura e a mitologia helênicas, já que preferiam a escolha do seu apelido grego no lugar de seu nome de batismo e daí ficou Bacus ou Baco, como nos o conheceríamos muitos séculos depois. Com ele nasceram tanto o vinho como as festas religiosas; estas, usadas como desculpa para levar as celebrações ao extremo, transformaram-se nos famosos bacanais, festas privadas que logo vieram a público como escândalos, apesar de Roma já conhecer bem os excessos dos poderosos e o contágio fácil de que eram vítimas as classes menos prudentes, enriquecidas de resto com o crescimento do império e sempre desejosas de gozar das prerrogativas do poder adquirido de serem os cidadãos da primeira potência do orbe. No ano 186 a.c., o Senado romano promulgou uma lei que proibia a celebração das bacanais e tratava de circunscrever o culto a Baco ao seu âmbito sagrado. Com isto, reduziu-se em parte a propagação das festas, mas a idéia básica já se havia inculcado profundamente nas cidades e nos campos circunvizinhos, e o antigo sentido agrícola da celebração foi totalmente esquecido. Rodeada pelos atributos báquicos por excelência, uvas e vinho, a festa mais ímpia de Baco continuou existindo até os últimos dias de Roma, centrada na imitação da libertinagem adolescente do deus, com o álibi de ser recordação dos seus sátiros e bacantes e das correrias amorosas e sexuais do deus enlouquecido pelo prazer; atingiu o auge quando a cruenta sucessão de imperadores e as lutas entre pretorianos foram levando o império à decomposição e relaxando os bons costumes primitivos, fazendo com que o escândalo inicial perdesse completamente o sentido.


Baco fez-se também com a parcela do filho de Dionísio e Afrodite, Príapo, e os jovens faziam-se adultos publicamente à sombra do novo Deus Fálico.




Não era apenas o vinho que motivava, como hoje a cerveja e outras bebidas e substâncias fazem, a entrega aos prazeres sexuais, dos mais comuns aos mais bizarros; era o Espírito Primordial Da Terra, ctonicamente agindo nos corpos, ctonicamente reagindo nos corpos, como demonstra Príapo, adiante assim, por Gordon considerado em seu livro:



Príapo, cujo nome representa a qualidade que o tornou famoso, personificava o elemento sexual mais cru e mais vulgar do culto dionisíaco - o tipo de sexo onde a beleza, a delicadeza e a troca mútua de prazeres não entravam em cogitação.



E, fazendo uma comparação com Eros:



No mundo do amor, Príapo situava-se no pólo oposto a Eros, o filho de Afrodite, que inspirava o amor sensual numa forma mais idealista.



Representante dos aspectos mais positivos da sexualidade, Eros podemos denominar como o ponto elevado desta em comparação com as movimentações de Príapo e Sua Energia nas festividades dionisíacas. Pan, outro da comitiva de Dionísio, assim é descrito por Gordon, o que vem a confirmar a existência de um Aspecto mais ameno à aura sexual da mitológica trajetória dionisíaca:



Pan, Espírito Das Montanhas, era um camarada amável e pacífico, com chifres, barba comprida e cascos fendidos de cabra. Seu erotismo assumia uma forma romântica e lírica. Com sua flauta agreste, Pan era um companheiro inseparável das ninfas, que podiam sempre contar com ele para os jogos do amor.



O Sentido Maior de Dioniso, como Deus e Inspirador de uma festa que inicialmente se assumia como Sagrada e proporcionadora da Energia Elevada Dele, não era o da Baixa Sexualidade, o da Baixa Sensualidade, como se pode, aparentemente, notar no que se conta nos livros acerca de suas festividades. Em Mitologia Universal lemos:



Sem dúvida alguma Dionísio, filho de Zeus e de Semele, é o Deus mais pagano de todo o panteon Olímpico; é a divindade mais atrativa e completa. É a que representa a idéia de um prazer permitido e apoiado pelos outros Deuses, é o que personifica o Mistério Da Morte E Do Além. A orgia era a forma oficial de seu grande culto no inverno; se celebrava com o acompanhamento de todos os recursos dados aos seres humanos para que desfrutassem a mísera existência, com a ajuda da dança, do vinho, e como transbordamento de qualquer que fosse o aspecto da paixão. Porém, como representante do Mistério Da Vida E Da Morte, com Dionísio se cria a desagregação entre o corpo e a alma, completa-se o ciclo ritual, porque louvar o Deus Do Prazer E Das Almas era amar a vida em sua plenitude sem esperar pelas recompensas da Eternidade, desfrutando totalmente da vida e obter o melhor após a morte.



O sexo, na visão original da Energia Dionísiaca, é o Grande Feixe De Verdades Existenciais, pois no instante do orgasmo atinge-se a mesma Forma que deu Formas ao Moldado universalmente, é um êxtase que por meio de manipulações ocultas pode ser bastante prolongado e eficientemente assimilado pela persona que se encarrega de prolongar os seus efeitos por bastante tempo a fim de produzir energias a mais para o seu subsistir. A má fama das festas de Dioniso, Dionísio ou Baco advém da humana capacidade em desviar de seus sentidos originais os cultos e os rituais de origem soberanamente sagrada, confirmada pelos Deuses como medidas segura de engrandecimento existencial. A Vida, A Morte, A Verdadeira Vida, A Verdadeira Morte, também podem ser alcançadas por meio do transbordamento de Energias em seus sentidos positivos, elevando as metas internas para o Alto da mesma maneira que os místicos desinteressados pelos desejos carnais elevam-se orando e meditando. O prazer sexual naquelas festas dedicadas ao Deus que na definição do livro Mitologia Universal era o mais completo de todo, em determinada época, pode ter sido utilizado adequada e corretamente, sem prejuízos para os participantes que era, então, participantes de Ritos De Vida E De Morte, pois o orgasmo, acrescentando algo a mais ao dito acima, é viver e morrer nos braços do ser amado ou do companheiro eventual de ritualístico ato. Morrer nos braços, renascer nos braços, provar do vinho do prazer no maior dos atos de valorização da Existencialidade, esquema iniciático enriquecedor d'alma e da corporeidade, essência tributadora de benefícios aos envolvidos em suas roupagens. Delícias do vinho, delícias do viver, delícias do morrer, para, enfim, alvorecer nos floridos campos do pleno interno desenvolver, O Envolvimento, O Desdobramento, O Encontro Consigo Mesmo No Outro E Em Si Mesmo! A dois ou em uma orgia, a eficiência de tal orientação ritualística beneficiava a todos os envolvidos de uma maneira justa e equilibrante da Espiritualidade. E há algo a favor das orgias (algo que aqui cito como forma de não ser acusado em alguma parte deste trecho desta pesquisa aqui presente de moralista e retrógrado, tal qual os membros das Igrejas Católica e Evangélica, no geral) que é destacado em Magia E Parapsicologia, de Bruno A. L. Fantoni, à página 105, as quais também eram praticadas no últimos dias das festividades dos Mistérios Eleusianos com a presença da estátua de Dionísio:



Quanto à orgia sensual, baseava-se na crença de que a imersão no prazer e em seguida o domínio do mesmo representa o mistério da transformação, do renascer da morte à vida.



Houve, tanto na Grécia como em Roma, o culto privado a este Deus aqui considerado, com um caráter iniciático, ao qual geralmente se dá o nome de Mistérios Dionísiacos, dos quais não se sabe muito, pois os seus praticantes juravam fidelidade ao pacto de manutenção do segredo acerca do que neles era praticado, um pacto que também observamos nos Mistérios Eleusianos. O culto iniciático dionisíaco elaborava elementos destinados aos valores do Alto na tríade Nascimento-Renascimento-Vida Eterna, uma religiosidade bem acima das festividades carnais que enfocava o Aspecto Elevado do Deus Dionísio. A crença na Reencarnação, que como sabemos é muito mais antiga do que toda e qualquer mitologia, era parte desses Mistérios, cuja liturgia anunciava, ao fim de uma sucessão de Existências, a União com o Deus abordado ritualisticamente. Se os Mistérios Dionísiacos incluiam a Magia Sexual, não posso dizer que tal seja verdadeiro, pois esse assunto deve ser pesquisado profundamente e com mais calma, advogando um tempo maior para este Inominável Ser que vos escreve; fica, então, para uma futura série de postagens a abordagem dos Mistérios Dionísiacos em suas máximas profundidades. Neste post, sem a marca do moralismo barato ou da exibição de algum tipo de pudor, abordei os Aspectos Altos e os Aspectos Baixos da Sexualidade Dionísiaca, pois não seria possível falar apenas do primeiro sem abordar o segundo. Conforme os diversos olhares que se expandirem por este texto, a leitura do mesmo pode, a bel-prazer, interpretar as suas nuances e escolher uma destas vias: ser um sátiro ou uma bacante que mais devora a si mesmo do que tudo o que deseja; ou ser o seguidor de uma ritualística que encaminha a Alma Eterna para os Braços Da Eternidade. Por experiências existenciais anteriores, digo que, como Aprendizado, os dois Caminhos são bastante válidos e dignamente aceitáveis para a Evolução através das diferentes vestes materiais.


No próximo post, veremos o Oculto Verdadeiro Sentido Do Sexo na Índia, a partir do Krishna Lendário e do Krishna Histórico.



Links:

Dioniso - Wikipedia

Dioniso - Portal Graecia Antiga

Civilização Grega - Cultos De Dioniso






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