O Oculto Verdadeiro Sentido Do Sexo Historicamente Comprovado - Parte II



A força da sensualidade grega foi exaltada, através do tempo, pela Arte, em campos como a Pintura e a Escultura, a reproduzirem as idéias de perfeição física altamente elevadas daquele povo. Se falamos dos gregos, falamos, igualmente, da forma sublime com a qual viam o sexo, algo da própria coloração existencial deles, como diz Gordon:



Passar do ocultismo tradicional do Egito antigo para a Grécia, numa determinada época, é o mesmo que sair de uma escuridão quente e abafada para um jardim claro e florido, repleto de pessoas alegres e animadas que não apenas adoravam as coisas boas da vida, como amavam apaixonadamente a beleza em todas as suas formas e o próprio amor em todas as suas variedades. Foi ali que floresceu a idéia nova e brilhante da liberdade intelectual e artística que iria inspirar e estimular todo o mundo ocidental.



Raça jovem, os gregos formavam uma sociedade que brilhantemente se tornou um exemplo de formidáveis inspirações para todos os povos futuros e a sua sexualidade era de brilhantes fundamentos, quase todos encobertos por uma falsa capa de licenciosidade e luxúria vulgares. Afastando as idéias que temos atualmente acerca de orgias espetaculares, com a participação de dez a trinta pessoas, poderemos identificar nas reuniões orgíacas do povo grego fundamentos ocultos devotados ao movimento transcendentalizante do corpo físico, uma forma de igualar-se aos imortais Deuses. Afrodite e Dioniso são os Deuses, os Espíritos Naturais, de maior destaque na histórica observação da cultura grega da sexualidade. Afrodite, Deusa Do Amor, A Mais Bela De Todas As Deusas, A Nascida Da Espuma, Espuma esta que nasceu do esperma de Urano, vencido por Seu Filho Cronos, que castrou o pai, sendo que os testículos deste caíram ao mar. Mitologia Universal assim se refere a Afrodite:



Afrodite era "a nascida da espuma", já que esta é a tradução literal e, por consequência, o mar era o seu berço. No seu principal santuário, em Pafos, as sacerdotisas banhavam-se ritualmente no mar próximo, como rememoração do seu nascimento. Os autores clássicos contavam que nos seus grandiosos palácios, como naquele que se disse que teve em Gnossos, as mais belas conchas marinhas cobriam o solo, enquanto os peixes e os mariscos eram o seu manjar simbólico; daí que hoje ainda se tenha por "afrodisíacos" (de Afrodite) esses alimentos, sem saber distinguir qual a razão original de denominação e qual o tão pretendido poder vitalizante-erótico. Afrodite era uma Deusa que se repetia nos esquemas míticos da zona geográfica próxima da Grécia. Já antes existiam precedentes da formosa Deusa Do Amor; trata-se, em linhas gerais, de uma divindade muito similar às grandes mulheres sagradas desde há muito estabelecidas nos países da costa oriental do Mediterrâneo, como a Ishtar dos assírios e como a Astarte, a Deusa que acompanhava Baal em importância e de que nos fala a Bíblia no Livro Dos Juízes e no Livro Dos Reis; estas Deusas tinham bastante a ver com o seu desenvolvimento posterior. É uma divindade que também tem pontos em comum com o mito de Eurinome, A Mãe De Todas As Coisas, Surgida Do Caos Inicial. O que se pode acrescentar, como dado muito pessoal de Afrodite, é que a Deusa voa rapidamente pelos céus acompanhada pelos pardais, pombas e outros de seus animais simbólicos.



Poderosa Representação Das Forças Do Grande Mar, a Deusa Afrodite é, então, um arquétipo do Belo e do Sublime amplamente a fazer parte do Feminino Universal. É de Qualidades Altas, Qualidades Amplas, Em Ondas De Poderes Sensuais E Vitalizantes, Pois A Nascida Da Espuma Do Mar É Toda Onda Que Ao Ser Dota De Espírito Ondulante Dedicado Ao Maior Navegar. Assim podemos ocultamente interpretar a Deusa Do Amor grega, a especialista, como chamamos agora, em atender aos pedidos dos amantes e das mulheres especialmente a Ela dedicadas. Explicando ao mesmo tempo sobre o sexo na Grécia e sobre Afrodite, Gordon assim explica:



Para os gregos, o sexo não significava jamais uma palavra condenável. Pelo contrário, era exaltada sob todas as formas. Consideravam o poder sexual um dom dos Deuses e um dos maiores poderes da vida. Até mesmo o início do mundo era representado por um ato sexual. Segundo Ésquilo: O sêmen do céu (Urano) penetrou o seio quente da terra (Gea) com seu calor e umidade, e foi desta união que nasceram todas as criaturas vivas, bem como os alimentos para os homens e animais. Gea teve muitos filhos, sendo que um deles (Cronos) odiava o pai. Aguardando o momento em que Urano mergulhava sobre Gea para sua união noturna, Cronos saltou sobre o pai, cortou seu grande pênis com uma foice e atirou-o ao mar. Felizmente, das gotas de sêmen que cairam do membro cortado de Urano se formou a espuma do mar que deu nascimento à bela Afrodite.



Mais adiante, o autor diz ainda:



A sensualidade dos Deuses era uma mera extensão das qualidades humanas, o que permitia ao povo identificar-se com suas divindades. Por outro lado, o erotismo freqüentemente grosseiro dos Deuses era transformado e sublimado pelo gênio dos poetas e dos artistas para os quais, como disse Schiller, "nada era sagrado a não ser o belo".



As histórias da Deusa Afrodite revelam essa mágica capacidade de exaltação artística dos feitos libertários Dela, isenta de preocupações como os laços matrimoniais e livre para o exercício do Amor com todos os homens que desejasse. Irresístivel, poucos se recusavam ao Seu Abraço, aos Seus Carinhos, aos Seus Beijos; ser Amado por uma Deusa como Afrodite é partilhar dos Lábios Da Mãe Cósmica Em Sua Face De Mulher Doadora. O que a Deusa Afrodite, o Ser que É a Deusa Afrodite, hoje ainda evocada, propicia, é exatamente isso, uma Doação do melhor da Criação, O Poder Gerador Do Amor, tanto para os homens quanto para as mulheres. E as mulheres, foco do Existir da Deusa como essa Imagem Maior, na antiguidade grega assim eram posicionadas no culto Daquela, segundo Gordon:



Os fiéis dirigiam-se aos milhares a Pafos. As mulheres e as moças, antes do casamento, entravam no templo e prostituiam-se ao primeiro estranho que oferecesse algumas moedas de ouro. O mesmo rito era praticado em Biblos, Malta, Alexandria e muitas outras cidades da época. Em alguns lugares, as mulheres tinham obrigação de praticá-lo pelo menos uma vez na vida. Após entregar-se ao primeiro estranho, a jovem voltava para casa e nenhuma quantia deste mundo podia comprá-la.



A Prostituição Sagrada à Deusa Afrodite dedicada era muito mais do que uma mera oferenda, oferenda esta que se constituia no próprio corpo físico de suas devotas. Ao serem investidas da obrigação dessa prática, as mulheres gregas traduziam-se existencialmente como a própria Deusa Afrodite, e as moedas de ouro pagas podem ser vistas como uma oferenda a essa Semelhança da parte dos homens que, encantados com as belezas delas antes dos atos, se deixavam envolver com uma imagem identificada com a Grande Deusa. Abraçá-las era como abraçar a Afrodite, ter nos humanos braços A Mais Bela Das Deusas; em sentidos ocultos, o trato sexual com os Seres um tanto quanto acima de nosso humano nível evolutivo é capaz de moldar novas estruturas internas, estruturas estas que operadores habilidosos podem manipular através da Vontade no plano externo, atingindo benefícios claros e bem precisos. Não que todos os homens gregos fizessem uso dos benefícios do Sexo Sagrado, mas alguns daqueles, que conhecessem os ocultos sentidos dos atos sexuais, podem ter feito uso de tais manipulações. Para as mulheres, os benefícios de tais atos também eram benéficos, qualificantes de uma segurança com relação ao seu Existir como Filhas Da Deusa, plenas do poder de sua feminilidade diante e acima dos homens com os quais mantinha contatos, brilhantes alcances de primazias douras n'Espírito. Os atos eram de estrondosa importância para os gregos, isto nos confirma Gordon:



A relação sexual em homenagem à Deusa era o dever de todos, como nos dá uma idéia a parte do templo reservada a esta prática, e o número de prostitutas sagradas que eram escolhidas com esta finalidade. Mulheres de todas as classes, cultas ou ignorantes, algumas de famílias tradicionais, outras que só contavam com sua graça e beleza, iam espontaneamente ao templo receber a honra da escolha. Fazer parte dos serviços permanentes do templo era um grande privilégio, que exigia treinamento, disciplina e deveres para os quais somente algumas mulheres possuiam o caráter e os atributos sexuais necessários. As naves dos templos maiores reuniam uma multidão de mulheres que se dedicavam exclusivamente à glória do amor sensual. Seus benefícios iam para os cofres do templo, com exceção de uma pequena parte reservada às necessidades pessoais. Para algumas delas, a existência podia ser dura, mas a elite gozava de uma situação e de privilégios apropriados a sua condição do culto. As crianças que nasciam das uniões eram levadas ao santuário, sendo que a educação das meninas, inclusive o treinamento nas artes eróticas, principiava antes da puberdade.



Um elevado senso evolutivo percebemos no povo grego antigo, uma fogueira de infinitos fogos evolutivos altamente elevantes tanto da corporalidade quanto da Espiritualidade. Havia o todo de um equilibrado senso de construtividade interna e externa, uma intensificadora atmosfera de realidades constitutivas do Ser que se expande na Liberdade. A liberdade sexual dos gregos era bem diferente da "liberdade sexual" do mundo contemporâneo, que condena todos os tipos de orientações sexuais que, ao olhar dos socialmente embriagados pelo moralismo cristão e protestante e demais outras religiões monoteístas arcaicas infectando as mentes com destrutividades de si mesmas, são "anormais". Safo, a maior poetisa do mundo antigo, chamada por Platão como A Nona Musa, era uma das maiores seguidoras da Deusa Afrodite, que em sua ilha, local de seu nascimento, Lesbos, criou um grupo de mulheres devotadas ao amor e ao conhecimento de si mesmas. À Deusa Afrodite Safo recorreu ao ver-se que sua amada de si se distanciava, a amada Átis e, então, um poema dedicou à sua Bela Sublime Deusa, pedindo pela atenção desta:



Ode à Aphrodite


Aphrodite em trono de cores e brilhos,

Imortal filho de Zeus, urdidora de tramas!,

Eu te imploro: a dores e mágoas não dobres,

Soberana, o meu coração,


Mas vem até mim, se jamais no passado,

Ouviste ao longe meu grito, e atendeste,

E o palácio do pai deixando,

Áureo, tu vieste,


No carro atrelado: conduziam-te, rápidos,

Lindos pardais sobre a terra sombria,

Lado a lado num bater de asas, do céu,

através dos ares,


E pronto chegaram; e tu, Bem aventurada,

Com um sorriso no teu rosto imortal,

perguntaste por que de novo eu sofria,

E por que de novo eu suplicava,


E o que para mim eu mais quero,

No coração delirante. Quem de novo, a Persuasiva

Deve convencer para o teu amor? Quem,

Ó Psappha, te contraria?


Pois, ela, que foge, em breve te seguirá;

Ela que os recusa, presentes vai fazer;

Ela que não te ama, vai te amar em breve,

Ainda que não querendo


Vem, outra vez – agora! Livra-me

Desta angústia e alcança para mim,

Tu mesma, o que o coração mais deseja:

Sê minha Ajudante - em - Combates!


Ah, Afrodite, Tu És A Intensa Deusa!


Ah, Afrodite, Tu És A Imensa Deusa!


A Intensidade Do Amor Maior Tu És!


A Imensidade Do Amor Maior Tu És!


Poderosa Mãe Afrodite, Amor Que Retorna!


Poderosa Mãe Afrodite, Amor Que Revoluciona!


Poderosa Mãe Afrodite, Senhora Sempre Bela Serena!


Poderosa Mãe Afrodite, Esperança De Meu Alto Poder!


Poderosa Mãe Afrodite, Esperança De Meu Alto Ser!


Ah, Afrodite!


Ah, Afrodite!


Ah, Afrodite!


Os cabelos dela!


Os lábios dela!


O rosto dela!


O colo dela!


Os seios dela!


A barriga dela!


A cintura dela!


Os quadris dela!


As nádegas dela!


A vagina dela!


As coxas dela!


Seus Cabelos!


Seus Lábios!


Seu Rosto!


Seu Colo!


Seus Seios!


Sua Cintura!


Seus Quadris!


Suas Nádegas!


Sua Vagina!


Suas Coxas!


Minha Amada És Como Tu És, Mãe Do Amor Pelas Esferas!


Repitamos assim como a Grande Safo, a Grande Poetisa Safo, que via em sua amada a sua Grande Afrodite, a sua Grande Deusa Afrodite. Ocultam-se no poema daquela e nessa nossa intuitiva resposta, aqui, juntos, Amores Diurnos Inomináveis, Amores Noturnos Inomináveis, Todos Os Amores Dos Ares! Ocultam-se e aguardam as vossas descobertas, Ouçam Afrodite, Ouçam A Deusa Afrodite, Que Mais Ouvir Em Tempos De Guerra Do Que A Voz Amada Bela Da Deusa Afrodite?


No próximo post, falaremos de outro dos Deuses Sensuais da Antigüidade nesta histórica abordagem da confirmação do Oculto Verdadeiro Sentido Do Sexo, Dioniso.




Links:

Aphrodite - Mythweb

Aphrodite - Greek Mithology

Deusa Afrodite/Vênus - Rosane Volpatto

Adolphe William Bouguereau

François Boucher







2 Loucas Pedras Lançadas:

fazendo manha disse...

oi meu amigo..obrigada pela presença constante em meu blog
adoro-te
suave seja!!
beijos no coração
.
.
Sandrinha
adoro te ler

Obrigado, Sandrinha, pelo vosso comentário, retornes sempre. Vossos blogs estão excelentes e, em breve, te enviarei presentes, aguarde...