Visitando Os Escritores E Poetas Incomuns - Introdução


(...)Livres dos mecenas, os artistas tornaram-se reféns da indústria cultural, que não impede a produção, mas cerceia a divulgação de produtos culturais que não sigam as formas dos best-sellers. Para Ronaldo Lima Lins os editores apenas se interessam por obras com sucesso garantido. Para ele, uma mudança que se reflete, a partir dos anos 1970, também no jornalismo literário. Os livros eram, até então, comentados por suas idéias e os suplementos literários, fator de prestígio para os jornais. No final dessa década, chama atenção, que os editores, interessados em atrair maior número de leitores, passam a investir em temas mais rasos. Por essa lógica, autores com a aspereza de Graciliano Ramos jamais seriam publicados.(...)

(...)Frente ao bloqueio da indústria cultural, vão surgir fenômenos como os blogs e sites alternativos – acessíveis aos agraciados com as maravilhas digitais. O fato é que nunca se publicou ou escreveu tanto como agora, o que, infelizmente, não implica em qualidade ou, ao menos, em ampliação efetiva da leitura. Afinal, o mundo das aparências chegou a um ponto tal que, não raro, se compram livros não para lê-los, mas para preencherem estantes. No Brasil, onde ainda se mantém a idéia da cultura como ornamento, os emergentes (os noveaux riches da nossa época) são capazes de preencher bibliotecas imponentes somente para, com as lombadas dos livros, decorar o ambiente.(...)”


Rodrigo Ricardo

in: Jornal da UFRJ – Agosto/2007



Ao ler o trecho acima de uma matéria intitulada “As luzes sombrias de uma era – Pós-modernidade e pós-modernismo, as marcas do triunfo capitalista em todas as facetas da vida humana. Um legado de indiferença, conformismo e barbárie à História e à cultura da civilização”, fui tomado por uma vontade tremenda de meditar bastante sobre o mesmo. Somei os pontos dao trecho acima com idéias que já vinham se formando em minha mente acerca do modo de escrever atual, do porquê de escritores de qualidade duvidosa estarem a predominar no meio literário e os escritores de altíssima qualidade não serem reconhecidos. Por mais que se queira ser imparcial com relação a este assunto, não se é possível escapar à tarefa crítica, tarefa essencial de elaboração de um pensamento que visa ao esforço do tecer de uma linha de visualização de um panorama a ser estabelecido. Por mais que se queira ser imparcial, não se é possível ser indiferente ao fator da predominância da baixa literatura tanto na Internet como fora desta. Há poucos talentos, verdadeiros talentos, entre os escritores de sucesso, de vendagem fácil; e há muitos talentos, soberanos talentos, que vivem no submundo, arrastando-se durante anos até que venham a ter os seus livros publicados ou o talento reconhecido. Os primeiros sãos os escritores comuns, os Sydney Sheldons, J.K. Rowlings, Stephen Kings e Dan Browns da vida, criadores de best-sellers, livros que em sua maioria pecam pela falta de maior apuro na essência e na profundidade; os outros, os soberanos talentos, são os relegados às cinzas, aos recantos inauditos do esquecimento, são como Cruz e Sousa, não reconhecidos, desconsiderados, discriminados, postos à margem da Cultura.


Nada contra aqueles escritores todos anteriormente citados. Mas, a todos eles, falta algo que os escritores mais antigos sabiam fazer: guiar verdadeiramente os leitores à profunda reflexão através de suas palavras. A todos eles falta o caráter do repassar mensagens mais profundas e essenciais, contidas em seus textos, que levem à profunda reflexão todos os seus leitores. É fácil ler os livros deles e de todos os demais “grandes escritores” atuais; porém, que tipo de reflexão se tem após a leitura, por exemplo, de qualquer livro do Harry Potter? Mundos modificam-se? Cenários novos criam-se? Dimensões novas amplificam-se? Galáxias de novos pensamentos e meditações absorvem a alma? Criações incendiárias de mudanças de atitude reflexiva e objetiva se formam? Claramente, a resposta é negativa, toda negativa. Os escritores comuns dominam o cenário cultural da Literatura; podemos incluir os poetas comuns, os acostumados, como aqueles, a escreverem apenas o que o grande público quer ler. E os escritores incomuns? E os que conduzem seus leitores aos mais profundos movimentos em matéria de meditações e reflexões devido aos seus escritos? Estão mortos os escritores incomuns? Estão todos mortos os escritores incomuns que são como que incendiários do Eu de seus leitores? Mortos, extremamente mortos, todos os escritores incomuns?


Não. Não. Não estão. Este que vos escreve aqui poderia facilmente citar vários e vários exemplos de escritores incomuns pela Internet e fora da Internet. Mas, quem transita por sites como este e por blogs que sabem fazer a diferença, verdadeiramente, sem serem impérios anais ou crônicas de absurdismos sexuais ou antros de fofoquinhas sobre artistas, sabe muito bem que existem ainda, que estão vivos, os escritores incomuns. Não vou citar exemplos do hoje, um hoje cuja cultura foi destroçada pelas radicais heranças do pós-modernismo e da pós-modernidade. Evoco o Marquês de Sade. Evoco a John Milton. Evoco a Álvares de Azevedo. Evoco a Anthony Burgess. Dois escritores incomuns. Dois poetas incomuns. Exemplos incomuns de como se deve verdadeiramente escrever, fazendo cada leitor ser devorado, consumido, por cada letra, cada parágrafo, cada estrofe. Dividirei este artigo em quatro partes, devido à quantidade de reflexões que advirão do mesmo.


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