Sobre Todas As Nossas Vidas Nesta Esfera Existencial


"O mito aqui aludido é o da transmigração das almas. Ele ensina que todos os sofrimentos infligidos em nossa vida pelo homem a outros seres têm de ser expiados numa vida posterior neste mundo e precisamente pelos mesmos sofrimentos. Tal ensinamento vai tão longe que, quem apenas mata um animal, nascerá no tempo infinito exatamente como este animal, sofrendo a mesma morte. Ensina que o procedimento mau acarreta uma vida futura sobre este mundo em seres sofrentes e menosprezados. Assim, uma pessoa nascerá de novo em castas inferiores, ou como mulher, animal, pária, chandala, leproso, crocodilo e assim por diante. Todos os tormentos, ameaças do mito, são comprovados com intuições do mundo real, em seres sofredores que não sabem porque são culpados pelo seu tormento; tornando-se aqui dispensável a ajuda de qualquer outro inferno. Por outro lado, entretanto, promete como recompensa o renascimento em figuras mais excelentes e mais nobres, como brâmanes, sábios, santos. A recompensa suprema, que espera os atos mais meritórios e a plena resignação, e que também espera a mulher que em sete vidas sucessivas morreu na pira funeral do esposo e a pessoa cuja boca nunca pronunciou uma mentira - a recompensa suprema, ia dizer, o mito só pode expressar negativamente na linguagem deste mundo, por meio da promessa tantas vezes renovada de não voltar a nascer: non adsumes iterum existentiam apparentem ("Não assumireis de novo a existência aparente"); ou como os budistas, que não admitem nem Vedas nem castas, exprimem-se: 'Tu deves atingir o nirvana, ou seja, um estado no qual não existem quatro coisas, a saber, nascimento, velhice, doença e morte'."

Arthur Schopenhauer




Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais.

No trecho acima de O Mundo Como Vontade E Como Representação, Arthur Schopenhauer toca na mais bela das Verdades Da Criação. Aos Irmãos Blogueiros que não sabem, Schopenhauer foi totalmente influenciando pela Filosofia Oriental e toda a sua obra apresenta uma visão de vida amparada no que de espiritualmente elevado aquela produz. Mesmo não sendo religioso, Schopenhauer canta como um antigo e sábio sacerdote hindu as maravilhas que intelectivamente percebeu na visualização do mundo que o cercava. Não o considero pessimista, como o senso comum de certos "intelectuais" dizem que ele é ao analsarem-lhe a obra. Senhor de um sentido todo particular do que é a Filosofia Universal, Schopenhauer deixou um legado transcendentalmente rico de palavras verdadeiras para todos os homens. No trecho acima, Irmãos Blogueiros, ele alude ao que hoje denominamos Reencarnação. Mas, alguns devem estar se perguntando: filósofos falam sobre Reencarnação, um assunto religioso demais para eles que em sua maioria contestam as religiões?

Saibam, Irmãos Blogueiros, que todo assunto é de interesse de um verdadeiro filósofo, todo assunto é obra de investigação filosófica, todo tema é-lhe fascinante e amigo nas horas obscuras e nas horas iluminadas. Falemos filosoficamente nesta reflexão sobre a Reencarnação. Eu, Inominável Ser aqui que já foi muitos Outros Seres, racionalmente aceito a Reencarnação. Tudo evolui, do mineral ao homem, do homem ao Ser Maior, do Ser Maior ao Ser Desconhecido Que É O Nada Venerado Sob Muitos Nomes Como O Pai E A Mãe De Todas As Coisas. A direção é essa, a direção que leva todos nós, Irmãos Blogueiros, à nossa origem em comum. A Reencarnação ensina-nos, Irmãos Blogueiros, tudo que podemos querer que seja nossa chance de retornarmos à Origem Desconhecida De Tudo. Se hoje nos espantamos com a violência em nosso redor é porque em vidas passadas também fomos tão ou mais violentos do que os marginais que queremos longe de nós, aprendemos que nada é a violência. Se hoje nos horrorizamos com os indivíduos que vendem o seu corpo e com as imagens de aberrações sexuais pela Intenet é porque em vidas passadas fizemos coisas iguais ou piores do que eles que agora nos são repugnantes, aprendemos que nada mais é do que a pura luxúria desprovida de amor verdadeiro. Se hoje sentimos ódio ou amor por alguém é porque em vidas passadas fomos inimigos ou as companhias daquele por quem tal coisa sentimos; se você odeia alguém, Irmão Blogueiro, nada aprendeu ainda através de suas inúmeras vidas até agora; se você ama alguém, Irmão Blogueiro, aprendeu que o que vale nesta Criação para toda a Evolução Dos Seres é O Amor Espiritual, O Amor Verdadeiro, O Verdadeiro Amor. Se tudo em alguns de nós hoje nos é familiar, Irmãos Blogueiros, é porque voltamos a realizarmos os nossos Verdadeiros Caminhos. Se tudo hoje, Irmãos Blogueiros, é motivo de risos para alguns de nós, é porque estes alguns foram puros em seus atos em vidas passadas. Se tudo hoje, Irmãos Blogueiros, é motivo de choro para alguns de nós, é porque estes alguns foram impuros em seus atos em vidas passadas.

Se essas palavras não tocam em vossas almas, Irmãos Blogueiros, este Inominável Ser aqui deve estar escrevendo-as para vazios de conteúdo e forma que apenas sabem aproveitar as coisas boas desta existência sem a mínima preocupação com qualquer modo de Espiritualidade Maior. Se essas palavras tocam-lhes, Irmãos Blogueiros, este Inominável Ser aqui deve estar escrevendo-as para seres que já se tocaram internamente que apenas uma existência não é o suficiente para a evolução de um Espírito Eterno. É dura esta estrada humana, mas temos de percorrê-la, Irmãos Blogueiros, lançando mão das forças melhores que podemos obter de nossas crenças internas. Este Inominável Ser aqui não anuncia neste blog as suas crenças, ele apenas diz algo a alguém, a todos, a ninguém. Este Inominável Ser aqui centralizou-se em si mesmo, leu todas as suas vidas passadas em um piscar de olhos e reiniciou a sua trajetória de apenas dizer algo a alguém, a todos, a ninguém. Este Inominável Ser aqui, olhando para suas vidas passadas, viu-se um depravado, um ladrão, uma prostituta, um assassino, um imperador, um rei, um mendigo, um padre, um louco, um santo, um rebelde, um revolucionário, um todo, um nada, um cadáver que ressuscitava sempre a cada invólucro material tomado como suporte para o seu Espírito Eterno.

Já, alguns de vocês que acreditam na Reencarnação, já olharam-se nos espelhos de vossas Almas Eternas e viram a si mesmos em todas as vossas existências? Isso é como navegar em mares infindáveis, mas mares que acabam-se muito além do Nirvana. Sendo conhecedores de si mesmos,vós, Irmãos Blogueiros que ainda não se deram conta de que apenas estão continuando as obras de todas as vossas existências anteriores, compreendereis então O Ciclo De Samsara. Nascer... Crescer... Amadurecer... Trabalhar... Amar... Casar... Procriar... Envelhecer... Adoecer... Desencarnar... Reencarnar... Inúmeras vezes, Irmãos Blogueiros, percorremos esse Ciclo, por eternidades desconhecidas, talvez até em Criações Anteriores, percorremos todo esse Ciclo. Do túmulo ao berço, do berço ao túmulo, todos nós estivemos, Irmãos Blogueiros, dentro de Samsara. Do túmulo ao berço, do berço ao túmulo, agora, todos nós, Irmãos Blogueiros, estamos.

Sigam O Raio E Não A Trovoada, Irmãos Blogueiros!

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais.

20 de agosto de 2006


Links:


Artur Schopenhauer - Wikipedia


Artur Schopenhauer - Vida E Obra


Artur Schopenhauer - Pensador


Artur Schopenhauer - Morte Súbita Inc


Artur Schopenhauer - Obras No Submarino



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