Críticas Ao Marxismo-Leninismo - Primeira Crítica




Inomináveis Saudações a todos.

Esta é a primeira de uma série de críticas aos marxismo-leninismo que serão postados neste blog. Para que os leitores virtuais não fiquem enfatuados pelo assunto, já que o da dengue, na semana passada, tornou o astral aqui mais pesado que nunca ficara antes, não vou seguir em série, mas, periodicamente, vou publicar as continuações das críticas. Críticas estas nascidas de algumas pequenas leituras que fiz sobre o marxismo-leninismo há algum tempo.

No embate entre o Materialismo e o Idealismo, o desacordo extremo incapacita todos os movimentos de uma tentativa monista de unificação. O monismo materialista-idealístico fundamentaria a matéria como primordial no fator de ser a linha de atuação da mente abstrata no mundo concreto e o Espírito como a base de fortalecimento deste sentido existencial, transmutando o Idealismo para uma forma definidora do papel do sucessivo desenrolar dos fenômenos. Assim seria uma evolução do marxismo-leninismo e não a arrogante defesa de que ele é a melhor das soluções interpretativas do mundo. O dinamismo consiste em movimento verticalizante, ao mais alto possível para o positivo desenvolvimentismo de um pensamento; horizontalmente, o materialismo dialético apresenta um caminho único de mera indução a um sistema desenvolvimentista que prima pelos descaminhos do fanatismo ideológico. O que a dialética do marxismo-leninismo condenava na Metafísica nela efetuou-se inversamente: o novo progressivamente tornou-se a mecânica de um sistema fadado ao insucesso por negar os valores essenciais do Espírito Humano. O marxismo-leninismo morreu por falta de novidade no novo pelo qual lutava.

Revolução. Revolução. Revolução. Esta palavra surge como a principal promessa de construção das realizações do marxismo-leninismo. O que pudesse motivar os marxistas contra o Capitalismo fundamentou-se basicamente na busca única da destruição deste sistema, de uma forma verdadeiramente paranóica. Jamais haveria verdadeira revolução social se apenas os meios produtivos e governamentais fossem modificados. Os marxistas quiserammodificar uma civilização inteira incrementando uma ideologia que vela apenas pelo imediatismo, pela lógica e rápida obtenção mecânica de resultados. Não pode haver revolução social antes de uma revolução humana, uma natural reforma humana que busque uma praticidade, a real praticidade de um meio transformante de todos os demais meios, de uma união entre materialismo dialético e tal reforma. A praticidade marxista, por mais cientifica e ideologicamente amparada que estivesse, apenas voltada para a modificação do mundo objetivo e não do mundo subjetivo, a interna rede de problemas também sérios do íntimo humano, não estava destinada a ser a “salvadora do mundo”, como a todo momento parecia demonstrar a si mesma. Ela negou que historicamente o Homem é anterior a toda e qualquer instituição social, encontra-se acima de todo ismo, acima de uma civilização que atualmente demonstra-se errônea, falida e decadente. Para a História, o marxismo e seu fruto mais próspero durante certo tempo, o marxismo-leninismo, foi uma utopia; para aquela assim o foi na visão dos que crêem na reforma humana antes da social.

Além disso, a afirmação da matéria unicamente como forma de conhecimento da realidade da objetividade ata o marxismo a um dogmatismo dialético fatigante. O que há de plausível no Materialismo Dialético, como a definida concepção de mundo material a dar-nos uma noção de plena existência, é destruído pelo negativismo da não-aceitação do algo-além-da-matéria. Este filósofo não quer aqui fazer uma defesa da Metafísica e da Ontologia clássicas; porém, a aniquilação do marxismo como uma via de desenvolvimento humano adveio da excessiva exacerbação do que é apenas concebível intelectualmente. As próprias ciências, retiradas de todas as suas veleidades e limitações moldadas pelo ser humano, purificando-se através de uma dupla afirmação, a da matéria e do algo-além-da-matéria, um monismo científico, aceitariam em si a plausibilidade da existência e essência das forças ininteligíveis. Para os marxistas, as ciências absolutamente são afirmadoras e confirmadoras profundas da materialidade, a qual defendem como sendo a suprema única verdade do mundo fenomênico.

Na perdida fase de passagem, talvez rápida, do exato momento do homem animado puramente pelos seus instintos ao homem dinamizado pelo seu pensar, perdeu-se a naturalidade que ao ego humano proporcionava maior facilidade no viver diário na resolução de todos os conflitos. A consciência desenvolvida perdeu a capacidade que no chamado “homem selvagem” permitia a apurada desenvoltura de ser o mais natural que a sua condição existencial permitia. A vida social e suas exigências o deformaram, tornando-o um molde mecânico que serviu de modelo para as primeiras máquinas industriais. O trabalho seria o prazer do construir de todos e não o prazer do construir de poucos que, utilizando-me agora de aspectos do discurso marxista, aumentam anualmente a miséria no mundo com a exploração do trabalho nos países pobres e da língua nos meios midiáticos como forma de decantarem os “bons atos” da globalização, se o contato mais íntimo com a natureza fosse mantido. Não um contato como o proposto pelo Naturalismo, mas um aprendizado de como no espaço de vida considerado infra-humano os organismos são mais solidários conscientemente na manutenção do organizado complexo existencial que os comporta. O autor decanta neste capítulo os grandes “progressos” advindos da passagem da matéria inanimada para a matéria pensante, do “homem selvagem” para o “homem civilizado”, da vida tribal para a vida moldada segundo certos padrões mecanicistas. Adepto do determinismo no evoluir, Afanássiev cega-se no que não constituiu um progresso e fixou-se na consciência humana: o antigo e primitivo movimento do espírito no prazer egoístico de ambicionar domínios além do que estes podem proporcionar. Movimento esse que faz a Humanidade a verdadeira selvagem, consciente de que o trabalho é uma guerra na qual o melhor deve prevalecer demasiadamente e a língua uma arma bem direcionada no aprimoramento do continuísmo dos mesmos erros históricos que derrubam grandes planos de melhoria social, como os do marxismo, marxismo-leninismo, Socialismo e Comunismo. A consciência dotou o ser humano não apenas do sentido de ser o senhor do mundo, mas também da tirânica mentalidade de adjudicar tudo o mais no mundo como servil aos seus propósitos. Os homens primitivos lutavam para sobreviverem como partes do mundo; o “homem civilizado” luta da mesma maneira, contudo, apenas como parte de seu mundo. A consciência evoluiu dessa maneira, um fato que até mesmo afetou a singular capacidade de raciocínio e discernimento, qualidades raras no “mundo civilizado” atual. Uma sociedade assim não se modificaria apenas com uma revolução social, mas com inúmeras evoluções psíquicas que durariam talvez milhões de anos. Em um dia apenas, como pregavam os marxistas, não pode haver movimento revolucionário eficaz que propicie a mudança total no mundo de hoje dominado pelos exploradores nascidos do mesmo desenvolvimento da consciência. A revolução humana, a reforma humana, revolução e reforma verdadeiras, nasceriam das possibilidades de um progresso real da consciência total da Humanidade de que não há mais a possibilidade de igualdade, liberdade e fraternidade no mundo social contemporâneo e futuro. Marx, Engels e Lênin foram filhos da Revolução Francesa, a qual para eles adquiriu o nome de Revolução Socialista e, posteriormente, de Revolução Comunista. As mesmas premissas de transformação social foram abordadas nas três revoluções que foram promessas utópicas que nasceram maravilhosas e morreram na consciência humana. Esta, exageradamente filha da matéria e desconhecida do espírito, como bem interpretado a partir da dialética marxista, não se deu conta de que perdeu o que a realizaria como menos absurda, cega e perdida. Os homens do “mundo civilizado”, concreta e ironicamente, em livros vários, demonstram que são conscientes da sua consciência falida.

E é com a minha própria consciência falida que concluo esta primeira crítica ao marxismo-leninismo.

Saudações Inomináveis a todos.


Links:

Marxismo-Leninismo - Definição

Marxismo

Leninismo



2 Loucas Pedras Lançadas:

David MM disse...

Ótimo texto. Muito bem construído!

Infelizmente sabemos que pelo menos no meio acadêmico (e isso me refiro as ciências humanas), existe uma tendência de divinizar o marxismo. Todavia entendo que é uma corrente como qualquer outra, e deve sim existir críticas a essa corrente.

david-m-m.blogspot.com

Abraços!

Críticas que possam construir uma visão bem mais aberta de um dos grandes enganos da Humanidade, a meu ver.

Obrigado pelo comentário.