Será Que Eles Leram Rousseau?






A primeira e mais importante conseqüência decorrente dos princípios até aqui estabelecidos é que só a vontade geral pode dirigir as forças do Estado de acordo com a finalidade de sua instituição, que é o bem comum, porque, se a oposição dos interesses particulares tornou necessário o estabelecimento das sociedades, foi o acordo desses mesmos interesses que o possibilitou. O que existe de comum nesses vários interesses forma o liame social e, se não houvesse um ponto em que todos os interesses concordassem, nenhuma sociedade poderia existir. Ora, somente com base nesse interesse comum é que a sociedade deve ser governada.
Jean-Jacques Rousseau
in: Do Contrato Social - Livro II - pag. 43 (edição da coleção Os Pensadores)

Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) é a maior influência junto ao pensamento político utilizado por este Inominável Ser que vos fala. Ele pode ter sido um homem de conduta duvidosa em sua vida pessoal, que abandonou os próprios filhos à revelia, mas seu pensamento, legado ao Pensamento Humano, a toda a espécie humana, vem a figurar entre os maiores de todos os tempos. Notei na faculdade, na morna e decadente, arcaica e medíocre, vida acadêmica que estou a abandonar antes de meter uma bala na cabeça pelo tédio e a depressão que a mesma me provoca, que Rousseau está esquecido, como se fosse um pensador ultrapassado, tanto em Filosofia quanto em Sociologia (seu pensamento pode ser abordado, igualmente, pela ótica sociológica). Não existem "pensadores menores", já que cada ser dotado da pura faculdade de abordar intelectivamente são uma problemática humana social, ao modo filosófico analítico-discursivo-expositivo, não pode ser assim considerado e visto. O que ocorre, sem "achismos" da parte deste Inominável Ser, é que na Era Do Imbecilismo Contemporâneo, na Era Da Desgraça Contemporânea, a Desgraça Da Humanidade No Imbecilismo Da Humanidade, pensadores como Rousseau são jogados na vala através dos "discursos academicistas" que se valem das guerrinhas entre socialismos e neo-liberalismos, ismos cretinos de tempos mais cretinos ainda.

A Política Contemporânea, então, é um reflexo disso, este Inominável Ser aqui afirma. Com isso, no entanto, não quer este Inominável Ser afirmar, no mesmo leque de abordagens presentes neste post, que Rousseau venha a ser "o-maior-pensador-político-de-todos-os-tempos". Entre os alcances que este post pretende, claro, não está o de afirmar isto, que cairia imensamente no ridículo sofismático que tanto corrói as inteligências humanas. O alcance principal é o que destina-se a trazer Rousseuau para a panorâmica total da Política Latino-Americana, ou, mais precisamente, Sul-Americana, que, no fim, engloba mesmo toda a América Latina, a receber os efeitos do que os países de maior ênfase econômica-social da região tratam de mover em suas respectivas políticas. As Forças Armadas Revolucionárias Da Colômbia, terrorista em toda a sua essência e socialmente comprometida com uma luta que aos olhos de seus partidários é justa igualmente em toda a sua essência, é um paradoxo crescente que emite perigos vários para as soberanias de todas as nações latino-americanas. Os paramilitares-terroristas-guerrilheiros das FARC, transitando também pelo tráfico de drogas e pela defesa de direitos sociais, são uma força de considerável transformação no panorama político que demonstraram a sua capacidade transformante, de forma mais gritante, após a invasão do território equatoriano pelo exército colombiano para matar Raul Reyes, um dos líderes de sua cúpula. Uma quase guerra envolvendo Colômbia, Equador e Venezuela ergueu-se, mas os ânimos, aparentemente, foram acalmados, pequenas concessões de uma tempestade que futuramente vai se tornar um turbilhão de tempestades.

Para quem afirma que o Brasil e o nosso presidente, o Luis Inácio Lula da Silva, nada tem a ver com isso tudo, digo que vosso engano é rasteiro e cegante de si mesmo. E, também, que Evo Morales, que já teve atritos com o Governo Brasileiro após o episódio da expulsão dos negócios da Petrobras na Bolívia, não tenha que ser envolvido nisso, digo que há em ti mais um engano da mesma natureza. Lula, Morales, Hugo Chávez, Álvaro Uribe e Rafael Correa são as peças-chaves de todas as recentes mudanças no panorama político da América Latina, que seria afetada em seu todo caso uma guerra surgisse após o episódio da invasão do território equatoriano. Aqui não está a condenar-se, aqui neste post, quem apoia as FARC e este Inominável Ser aqui dirige-se aos fatos que aos nossos olhos se desenrolam com o passar dos dias. A recessão dos Estados Unidos Da América é um problema que nos últimos dias vem tomando o lugar do problema que se encontra cada vez mais próximo de todos nós, latino-americanos. As mudanças promovidas pelas FARC antecipam-se no que podemos notar de diferente, a partir de agora, nas relações de soberanias entre os países e na vontade geral do povo latino-americano, que, em sua maioria, considera puramente criminosa a existência ativa daquele grupo. As soberanias nacionais foram ameaçadas pela invasão do Equador pelo exército colombiano e isso cria um precedente para ações do mesmo tipo, aqui mesmo, com relação ao nosso país. O que nosso presidente faria se amanhã, amanhã mesmo, o exército paraguaio invadisse o Rio Grande do Sul para matar traficantes brasileiros, "inspirado" pela ação do exército colombiano em território equatoriano? Já estivemos, no passado, em guerra contra o Paraguai; valeria a pena entrar em guerra com este país novamente? Melhor não seria que todos os criminosos fossem duramente combatidos, com mais vigor, com mais força, com mais seriedade, cumprindo a vontade geral de uma nação que elege políticos para tal ordenação de coisas estatais primordiais como o pleno acesso ao maior sentido de segurança de ir e vir em suas cidades?

A vontade geral é que as FARC se tornem inimigas dos Estados latino-americanos, assim como toda e qualquer organização que atente contra as soberanias nacionais, transformando as boas políticas de relacionamento entre os países. Poderia se pedir o mesmo com relação ao Brasil, que o nosso Governo atual e que os futuros Governos considerassem como inimigas do Estado as milícias que crescem cada vez mais nas áreas carentes, o Comando Vermelho, o PCC, os policiais corruptos, os ricos senhores que financiam o crime organizado e os políticos que são coniventes com este. Os Estados em guerra contra os criminosos em seu domínio, em Verdadeira Guerra, não de extermínio como nos regimes fascistas e ditatoriais, mas de eliminação dos recursos todos que geram as suas continuidades existenciais. Os criminosos, daqui da América Latina e de todo o mundo, são forças transformantes que devem impelir os governantes ao duro combate a fim de se utilizarem de tais transformações com vistas ao promover do maior bem-estar político-econômico-social possível. As FARC são criminosas, sim, pois ao manterem réfens em condições desumanas, abaixo, bem abaixo, da dos animais, são monstruosas forças armadas de crueldade e não de sentido revolucionário. Se os líderes das FARC leram Rousseau, deturparam-lhe todo o sentido, já que o revolucionar de seus integrantes é próximo da Al Qaeda e dos criminosos aqui mesmo do Brasil, todos elementos transformantes do político-social DESCONSIDERADOS pelos políticos que elegemos, políticos mais preocupados com seus respectivos cartões corporativos do que com a vontade geral.

E será que o nosso presidente, o Luis Inácio Lula da Silva, leu Rousseau?

Será que Hugo Chavéz leu Rousseau?

Será que Evo Morales leu Rousseau?

Será que Rafael Correa leu Rousseau?

Será que Álvaro Uribe leu Rousseau?

Você aí, que, com certeza, não é um alienado, leu Rousseau?

Você aí, falo com outro leitor virtual, falo com outros leitores virtuais, que talvez sejam alienados, leram Rousseau?

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais.

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