Picaretagem E Letras


Inomináveis Saudações a todos.

484 projetos de livros apresentados a cinco integrantes de um júri formado pela Funarte para que dez deles fossem aprovados a fim de seus autores fazerem parte de uma bolsa da criação literária daquela instituição. A bolsa investirá trinta mil reais em cada autor para que o mesmo conclua seu livro, um valor dividido, sendo que a primeira parcela será recebida na metade da assinatura contratual e a outra conforme o cumprimento do cronograma. O júri foi formado por Frederico Barbosa, Fabrício Carpinejar, Christina Bielinski Ramalho, Gabriel Arcanjo de Albuquerque e Sylvia Helena Cyntrão.

Um detalhe fantástico é que em menos de 48 horas, leitores virtuais, eles avaliaram os 484 projetos. O final da inscrição deu-se no dia 10 deste mês de dezembro do corrente ano de 2007 e, incrivelmente, no dia 12, os dez projetos agraciados com a bolsa já estavam escolhidos. Um detalhe mais curioso ainda: dentre os premiados há antigos conhecidos e parceiros do júri...

A notícia foi lida por este Inominável Ser que aqui vos fala, leitores virtuais, na página 2 do Segundo Caderno do Jornal O Globo deste dia de domingo. Os interessados podem conferir toda a trama dos episódios e os pormenores lendo a matéria escrita pelo jornalista Miguel Conde, o qual contou com a colaboração de Alessandra Duarte. Diante de tal notícia, fico estarrecido, pois como poeta e como escritor, me sensibilizo com os desaprovados pelos "gênios" acima citados, dois poetas e três professores universitários. Me sensibilizo pois a transpiração e a inspiração, caminhantes juntas através doa to criador de cada um dos 474 desaprovados foi em vão, infelizmente, devido a uma autêntica picaretagem, no sentido mais diretamente negativo deste termo.

Não houve ética possível de ser visualizada, agora, nesse ato. Não há ética nenhuma, como vocês poderão ler na matéria impressa, na autoridade de dar-se a alguns dos contemplados, conhecidos dos jurados, a bolsa de criação literária. Ética impossível de ser vista, gerando todo tipo possível de revolta de quem verdadeiramente Ama as Letras. Este Inominável Ser aqui não é movido pelo dinheiro ao escrever suas obras e nem pensa em participar de concursos do tipo, os quais apenas são lentas diversificações de vaidosas fogueiras individuais. Escrever, para este Inominável Ser aqui, não é uma disputa e muito menos uma batalha ou luta de vale-tudo para decidir-se, estupidamente, "quem é o melhor poeta" e "quem é o melhor escritor". Porém, este Inominável Ser aqui compreende que muitos optam por uma chance, como essa dada pela Funarte, para que possam concluir as suas obras e lançá-las a fim de se tornarem conhecidos e serem reconhecidos. Separar as partes de um todo estudado e analisado é o tópico fundamental dos pensamentos deste Inominável Ser aqui; mais popularmente falando, separar o joio do trigo é uma tarefa que cabe bem em reflexões acerca de todo tipo de falta de ética aliada a uma escandalosa picaretagem. Não daria nunca para compactuar com a escolha de cinco jurados, analisando 484 projetos literários, em apenas três dias. A picaretagem chegou às Letras de modo mais visível, já que, há muito, claro, ela já existe. Antiga ela é, pois, como explicar um monte de livros de conteúdo duvidoso e fraco que se vendem aos milhões pelo mundo? Como explicar livros ridículos e medíocres nos tops dos mais vendidos em todos os países, enquanto que a Verdadeira Literatura, a dos que possuem verdadeiro talento, é esquecida, desprezada, ignorada e tratada da mesma forma anti-ética com a qual os "gênios julgadores de 484 projetos literários" trataram todas elas já sabendo que alguns já estavam previamente aprovados?

Apoio, então, todos os que se revoltam contra o ocorrido, meus irmãos escritores e meus irmãos poetas, igualmente. E me uno ao manifestar da insatisfação, da revolta e da indignação perante essa picaretagem, assinada embaixo pelo presidente da Funarte, Celso Frateschi. O "genial júri" dá as suas justificativas, respondendo às críticas, todas justificadas e legais, aqui:

O Globo Online - Blogs - Prosa E Verso - Jurados Da Bolsa Funarte Respondem A Críticas

E assim caminha a Ética no Brasil: para o cu da picaretagem mais deslavada e cara-de-pau...

Saudações Inomináveis a todos.

1 Loucas Pedras Lançadas:

Cordel disse...

Cordel das Bol$a$ Literária$ e outras mamatas...
Gustavo Dourado

É golpe de todo tipo:
Na internet e no real...
Fantasmagoria literária:
Assombram o textual...
Mamam nas tetas da Viúva:
Nepotismo leiteral...

Tem muita gente sabida:
Surrupiantes do Erário...
Clientelismo, malandragem:
Para além do dicionário...
A maracutaia é surreal:
Corrompe o vocabulário...

Premiam de qualquer jeito:
No emundo da lixeratura...
Doam bolsas do E$tado:
Nem precisa de leitura...
Jogo de cartas marcadas:
Do nascer à sepultura...

Julgam-se iluminados:
Pervertem a comunicação...
Komunicólogos - arrivistas
Chega de descaração....
Os "deputados" literais:
Sugam as mamas da Nação...

Ressucitaram João Grilo:
Macunaima e Cancão...
Pedro Malazartes ataca
No Planalto da Nação...
30 mil dobrões de ouro:
Na lítera-corrupção...

Mais um escândalo literário:
Tem ares de Mensalão...
Sanguessugas sequiosas
Chupam o nosso coração...
Lá na Redação do Céu:
Foi notícia de plantão...

Concursos, prêmios, medalhas:
Perdem credibilidade...
Nem precisa fazer prova:
Ganha-se com facilidade....
Têm malandros premiados:
Nos palácios da cidade...

A velha ação entre amigos:
Julgadores sem moral...
Falta ética, compostura:
Etc e coisa e tal...
A comídia esconde o fato:
Não aparece no journal...

Falcatruas, bandalheiras:
Parecem tudo normal...
Salve São Graciliano:
Façam um pelo sinal...
Vade Retro Satanás:
Eta gente sem moral...

Brincam com nosso dinheiro:
O imposto é escorchante...
Leio Finnegans - Ulisses:
Rosa, Machado e Dante...
O povo quer pão-cultura:
Não ser mais signorante...

Fabricam mi(n)tologias:
Ídolos de pés de barro...
PHdeuses de araque:
Amam caviar e karro...
Júri que nos desengana:
Tão bisonho, tão bizarro...

Será coisa de quadrilha?!:
Prefiro a de São João...
Em Drummond, me inspiro:
Chega de conspiração...
Respeitem a Coisa Pública:
Basta à Corrupção...

30 moedas de ouro:
Judas também ganhou...
Por aqui esse preço:
Muito se multiplicou...
Chafurdam-se na lama podre:
A arte se emporcalhou...

Eu vou mudar de toada:
Pôr a Ética no enredo...
Cultivar a boa Estética:
Esse é um bom segredo...
Ficar de orelha em pé:
Essa gente mete medo...

É preciso ter vergonha:
Para que se enganar?!
Ética e eqüidade:
No processo de julgar...
Que a Justiça prevaleça:
A coisa tem que mudar...

Gustavo Dourado
www.gustavodourado.com.br