Nada: A Verdade Dos Versos Existenciais


Em Busca do Nada


Por que buscá-lo? por que procurá-lo? por que exigir
De cada aparência deslindada isso mesmo
Que ninguém jamais viu nem compreendeu?
Pobres, ansiamos possuir; a busca cega
Não abandonamos, esperando numa frase,
Num livro inédito, num dito do mestre,
Que a mão forte do acaso, em súbita
E esplendorosa explosão, o encontre
E nos aproxime para sempre...

Insensatos!

É, e não é achado, comprado ou dado.
Esforço, investigação, busca - eis as armas
Da revelação. Nem no céu nem na terra
Irei erguer o véu derradeiro
E, ajoelhado, contemplar o rosto sem rosto
Que contemple o meu ego satisfazendo.
No entanto, no instante em que os ponteiros do espaço
Se juntarem num ponto, nem cá
Nem acolá, e o tempo não-criado dormir...

Então

Não o encontrarão os sentidos em parte alguma,
Porque é interior. Dito nebuloso, Não!
Que dizer da periferia, se no imo
Está o régio servo da luz?
Será a terra que conhecemos um antro de pecado,
E apenas o céu uma altura luminosa?
Vive, move-se. Não muda. Dentro,
Fora, de todos é visto.
No riso, no amor, na vaidade,
É o indiviso dividido.

Está aqui e além. Não tem ser,
Não age, não deseja.
Vê e sabe, vendo sem nada ver.
É o tudo de todas as coisas e cada coisa em particular.
Brilha no não-eu, no espaço certo;
Desfalece quando em aparência o uno se faz dois.
Espera, um momento intérmino,
Além, muito além o meu e teu alcance.

Por que, então, buscá-lo, na rua ou na mente?
Vivamo-lo, amemo-lo e gozemo-lo a fundo;
Ele é, nós o somos; Coisa alguma há para trás.
Quão rico é aquele que tem e é o Vazio!

Christmas Humphreys

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Inomináveis Saudações a todos.

O Sentido Do Nada: nós sabemos possuí-lo como nossa verdadeira gota d'agua da salvação de nós mesmos?

No Nada, no cerne do Nada que há em nós, reside igualmente a fonte de nosso poder de sermos originais. Neste mundo de aparências frias, tolas, pueris e comuns, no pior sentido que estas palavras possam adquirir, não sabemos tirar proveito verdadeiro do Nada que adormece em nossos íntimos estados d'alma. O poema místico de Travers Christmas Humphreys (1901-1983) acima alerta para esse Nada que nós podemos fazer com que nos dê tudo. Se buscamos apenas a matéria, esta matéria, fácil de desgastar-se com a ação inexorável do porvir de todas as coisas, não nos preenche com o que procuramos.

Eu procuro A Verdadeira Verdade incessantemente fazendo com que o meu Nada vasculhe o Nada Das Formas que apresentam-se aos meus olhos, físicos e espirituais. Minha busca pela Verdadeira Verdade não pode ser a busca de vocês que me lêem, assim como as buscas de outrem não podem ser as minhas buscas. Cada um, olhando para o seu Nada, diante de seu todo de alegrias, tristezas, temores, dores, angústias, amores e ódios, alcançando o Estado Do Nada Verdadeiro que lhes indicarão as suas buscas, pode tornar-se para si mesmo um ser que possa transmitir algo de produtivo, evolutivo e rico para este mundo. A riqueza verdadeira, a mais pura verdadeira riqueza, é a do ser que do seu Nada encontra o seu Todo Verdadeiro, passando o Estado a ser A Permanência De Algo Verdadeiro.

Fácil não é abandonar uma vida de apenas buscas nas satisfações materiais; estas são importantes, mas devem ser as nossas maiores metas?

Creio que estas palavras estejam produzindo em vocês um tipo de reflexão sobre o que não devem fazer após lê-las. Não sigam isto apenas porque leram e nem porque tenham a vontade de seguir. Nada leiam, apenas reflitam sobre tudo que lhes vem ao conhecimento e tentem ver seus Nadas se possível. Na riqueza que cada um de vocês pode assim obter, está o que verdadeiramente devem seguir por si mesmos, para si mesmos, em si mesmos. Em toda essa riqueza há o poder das Poesias Do Ser, cujos Versos Existenciais cantam odes ao viver verdadeiramente vivo a própria existência.

Em um tempo com este onde fala mais alto a materialidade do que a espiritualidade, um fino toque em Verdades que os nossos antepassados conheciam bem melhor do que nós, pois mantinham um contato mais próximo e enriquecedor com a Deusa Mãe Natureza, remete-nos a reflexões. Apenas reflexões, pois o meu objetivo é apenas fazê-los refletir e não fanaticamente obedecerem ao que surge nestas meditações de uma alma acompanhada pelo seu Nada como a minha. A maneira mais correta de ser é não ser um seguidor de nada que externamente possa ser influenciador da personalidade.

No Nada há mais riquezas, pois a busca de si mesmo, a consciência de si, também reside em deixar que as relíquias interiores que possuímos se façam nossas amigas constantes diariamente. O Nada: A Resposta Em Vocês Para Que Tudo Verdadeiro Possam Obter, Ter E Ser. No Nada, tudo vocês serão, basta seguirem as suas metas próprias e não as estabelecidas por outrem, basta seguirem as suas Vozes Internas, os seus princípios de combates contra as suas fraquezas e inúteis ações.

Nas fraquezas, o Nada pode estar, aguardando a luta de vocês por despertá-lo na forma da força, a força de vossas próprias armas de luta por si mesmos. Nas inúteis ações, o Nada pode estar, aguardando a útil possibilidade de vocês visualizarem que estão sob a ação intempestiva do inútil, sendo no útil a primazia de realizações para si mesmos. Esse é o Nada, Irmãos Blogueiros, o Fundamento Maior de toda Verdade que vocês em si possuem. VOCÊS SÃO MUITO MAIS DO QUE DEUSES!

Saudações Inomináveis a todos.

10 de julho de 2006

Links:

Christmas Humphreys - Wikipedia

The Blavatsky Trust: Christmas Humphreys

Twelve Principies of Buddhism by Christmas Humphreys

Christmas Humphreys, A Buddhist Judge in Twentieth Century London

Christmas Humphreys em Filosofia Esotérica

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