Semelhanças Inegáveis Da Unidade Humana



Saiba

Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem

Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar

Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
E também eu e você

Arnaldo Antunes


Ah, como nós todos pensamos que somos diferentes uns dos outros!

Ah, como nós todos pensamos que existimos em uma consistente separatividade de espíritos, mentes e desejos!

Ah, como nós todos pensamos que valemos mais do que os demais caso tenhamos algo a mais ou algo que nem seja tanto assim a mais!

Ah, como nós todos pensamos que uma cor de pele diferente ou um penteado diferente ou uma roupa ao último gosto da moda nos torna superiores!

Ah, bailamos assim nesses pensamentos e não negues que alguns de vós sois diferentes!

Ah, bailamos ao contrário de Zaratustra em um baile de cordas que nos distancia da única corda pela qual todos nós bailamos!

Ah, quão tolos e imbecis e idiotas e cegos devemos nos acostumar às vezes a dizer que somos...

Morbidez. Pessimismo. Aridez. Hoje, este Inominável Ser aqui, pode estar nesses estados. Mas, qual estado alguns de vós ficariam caso olhassem para os espelhos de vossas almas e tentassem compreender cada verso da letra da música acima? Arnaldo Antunes, que era a verdadeira alma do grupo Titãs (creio que a saída dele deste grupo determinou a queda de criatividade deste), segue em uma bela e promissora carreira solo após abandonar o grupo. Porém, não é reconhecido neste estranho país no qual Tati Quebra-Barraco, Kelly Key, Os Travessos, Alexandre Pires e outros "astros" da "cultura pop" (quem se salva nesta "cultura" no Brasil e no mundo?) fazem mais sucesso com suas músicas que beiram o subnível de ondas pequenas que batem em praias lotadas de acerebrados do que verdadeiros ícones da Cultura Brasileira. Arnaldo Antunes, pela essência e profundidade das letras que desenvolve, faz parte da Verdadeira Cultura Brasileira e, assim como ele, existem vários outros verdadeiros astros nada reconhecidos pela maioria dos brasileiros como Tom Zé, outro exemplo maior de injustiça cultural.

Bem, vamos à reflexão baseada em Saiba, música que dá título ao mais recente CD de Arnaldo Antunes. A letra se baseia em algo que sabemos ser real, mas as nossas consciências fazem de tudo para tornar irreal, mentiroso, falho em sua afirmação. Ao olharmos para os nossos espelhos d'alma, devemos admitir os nossos preconceitos. Quantas vezes, de nariz empinado, olhamos para pessoas mais humildes com um certo ar de nojo? Quantas vezes, com uma ar pernóstico, nos fazemos de muito sábios contra pessoas que não tiveram na existências muitas oportunidades de estudo? Quantas vezes já não julgamos alguém pela sua cor e pela sua raça? Quantas, quantas, quantas, quantas vezes, já não fomos assim tão imbecis escrotos seres a nos julgarmos elevados em altares máximos de máximas alvas grandezas?

Contra todos os tipos de preconceitos, a letra da música acima solenemente dirige-se. Rasguemos os véus que encobrem esse nosso lado obscuro e se somos diferentes (ou não) de Anakin Skywalker, não nos submetamos a ele, apenas o analisemos, apenas nos inteiremos dele através da letra da música. Nascemos iguais, todos bebês frágeis que a mão de um gigante esmagaria impiedosamente em um instante. Conforme nossos estados evolutivos de espíritos encarnados em corpos frágeis, vamos nos desenvolvendo e nos tornando animais sociais em nossa belíssima civilização animada de animais de toda espécie não muito racionais.

Nos desenvolvemos sob diversas condições evolutivas reais: cientistas como Albert Einstein, psicanalistas como Sigmund Freud, filósofos como Platão, esquizofrênicos apocalípticos como Adolf Hitler, imbecis completos como George Bush, ditadores sanguinários como Saddam Hussein, fundadores de religiões como Maomé, sábios como Arquimedes, Iluminados como Buda, astronômos à frente de seu tempo como Galileo Galilei, dançarinos além-do-homem como Friedrich Nietzsche, mulheres à frente de seu tempo como Simone de Beauvoir, bandidos como Fernandinho Beira-Mar, sábios como Laozi, profetas como Moisés, reis como Ramsés, reis do futebol como Pelé, pacifistas como Mahatma Gandhi, pugilistas como Mike Tyson, mulheres de índole duvidosa como Salomé, ditadores loucos como Nero, revolucionários como Ernesto Che Guevara, ditadores sanguinários como Augusto Pinochet, brancos, negros, amarelos, vermelhos, brasileiros, portugueses, ianques, sudaneses, senegaleses, chineses, japoneses, tailandeses, australianos, javaneses...

Diversas condições.

Diversas ações.

Diversas atuações.

Diversas idas.

Diversas chegadas.

Diversas paradas.

Onde estará, então, a mais pequena diferença se somos diferentes apenas em aparência e não em essência?

Onde estará essa diferença se somos separados apenas pelas aparências?

Onde estará essa diferença que torna este mundo tão ingrato e nos torna, a nós humanos, tão separados?

Os espelhos de vossas almas podem responder-lhes. Este Inominável Ser aqui apenas lhes inspira a encontrarem através de vossas próprias reflexões as respostas, uma resposta, nenhuma resposta ou talvez o iniciar de novas perguntas ainda mais profundas. A Unidade Humana, para este Inominável Ser aqui, existe plenamente pulsante e clara. Neste Inominável Ser aqui pulsam claramente preconceitos e as centelhas de cada um dos citados entes que pertencem a esta Humanidade. Em vós, há cada um deles. Einstein, Freud, Platão, Hitler, Bush... Todos eles e todos os humanos estão nos interiores de todos os humanos, vivos, bem vivos, eternamente vivos. Diferença nas aparências, desejos e vontades. Unidade no fato de caminharmos todos para o mesmo prêmio definitivo de nossas humanas existências: a unitária cova nossa.

05 de outubro de 2006


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